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Quinta, 09 Março 2017 15:41

Menstruação e rendimento desportivo

mentruaçãoDesde o momento da primeira menstruação, o organismo das mulheres saudáveis passa por ciclos de caráter menstrual diretamente relacionados com as hormonas.

Ao longo dos 28 dias que em média dura o ciclo menstrual, o útero prepara-se para uma possível gravidez, e quando não se concretiza surge a menstruação. Em função dos níveis hormonais, produzem-se diferentes etapas ao longo do ciclo menstrual. Quando a menstruação termina, começa a fase folicular em que os estrogénios estão elevados e a temperatura corporal costuma situar-se à volta dos 36º. Por volta do dia 14 do ciclo, os estrogénios descem e é a progesterona que aumenta a sua concentração juntamente com a temperatura corporal que se costuma situar perto dos 37º, a fase lútea.

Este vaivém de hormonas afeta todas as mulheres e as desportistas não são obviamente exceção. Se tivermos em consideração que as competidoras de alto rendimento dependem a 100% do seu corpo para exercer o seu trabalho, em função do momento do seu ciclo, a sua resposta não será sempre a desejada.

Na fase pré-menstrual e menstrual do ciclo, o nosso corpo passa por mudanças como uma descida da economia respiratória, maior frequência cardíaca, menor concentração de hemoglobina ou maior massa corporal (devido à retenção de líquidos). A coordenação, agilidade e estabilidade também se podem ver alteradas. Todos estes processos não facilitam a obtenção de bons resultados em competição. Segundo um estudo realizado por Sokolova com uma equipa de voleibol, 85% das jogadoras sofreram uma descida na sua capacidade de trabalho nas fases pré-menstruais e menstruais. No entanto, nas fases pós-mentrual e pós-ovulatória ocorrem processos fisiológicos inversos. É nestas fases que após vários estudos se conclui que as desportistas possuem maior capacidade de trabalho em geral, juntamente com uma maior economia funcional e uma elevada velocidade de recuperação.

Por tudo isso é importante que na hora de programar os treinos tenhas em conta a fase do ciclo, ainda que também é certo que quando se trata de desportistas de elite é complexo adaptar-se a 100% uma vez que as competições estão sujeitas a um calendário. A fisiologia feminina tem em grande medida uma forte influência na resposta física e também psicológica da desportista, e portanto não deveria ser um tema tabu. Adapta os teus treinos na medida do possível, mas não fiques obcecada, essas alterações podem ser muito subtis e perfeitamente superáveis quando estás habituada a treinar em todos os momentos do ciclo.

No entanto, não te deixes superar por isso de “não conseguir (melhorar a marca, aumentar a intensidade ou desfrutar do treino) porque estou com o período”. Os estereótipos e a predisposição negativa afetam o rendimento muito mais que as hormonas, como demonstra um estudo recente realizado com mulheres futebolistas pela Universidade de Frankfurt e publicado pela Psychology of Sport and Exercise. As jogadoras eram mais lentas e tinham maior capacidade de driblar imediatamente depois de se lhes dar a ler um artigo falso sobre o menor potencial das mulheres para jogar futebol.

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