Luis Nascimento
Fisioterapeuta, Licenciado pela Escola Superior de Saúde de Alcoitão. Osteopata, Formado pela Escuela de Osteopatia de Madrid. Mestrando em Ciências de Fisioterapia pela Faculdade de Motricidade Humana. Professor do Instituto Politécnico de Leiria.
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Luxação do Ombro
A luxação do ombro significa a perda da relação total das duas principais superfícies articulares do ombro: a cabeça do úmero e a cavidade glenóide da omoplata, deixando estas de estar em contacto.
As luxações podem ser posteriores, quando o úmero se desloca posteriormente à omoplata, superiores, inferiores, intra-torácicas e anteriores, que são as mais comuns, onde o úmero se desloca para a frente. De notar também que as superfícies ósseas apesar de perderem a relação podem ter um perda incompleta de contacto, dando-se o nome neste caso de sub-luxação.
Estas lesões ocorrem sobretudo dentro duma faixa etária jovem associado à prática desportiva e têm sobretudo uma causa traumática. Podem ainda ter causas, congénitas, espontâneas (patológicas) e recidivantes.
O ombro é a articulação mais propícia a esta lesão pois tem uma grande amplitude de movimentos o que leva a que seja ao mesmo tempo muito instável. Em termos de sinais podemos notar uma deslocação do úmero em relação à omoplata e em termos de sintomas, podemos apontar uma dor severa na articulação do ombro, e uma diminuição da amplitude de movimento do membro acometido.
Quando suspeitamos de luxação deve-se procurar imediatamente ajuda médica, pois à medida que o tempo pós-lesão passa podem estar a ser comprometidos vários tendões, vasos sanguíneos e nervos. Normalmente é realizado um raio-x em dois planos como meio standard de diagnóstico e também para despistar possíveis fracturas do úmero. O primeiro passo a dar será a administração de analgésicos e o reposicionamento das superfícies ósseas seguida de imobilização caso haja lesão cápsulo-ligamentar. Deverá ser realizado também um exame físico para ver se não existem outras estruturas lesionadas.
Como meio de prevenção e tratamento pode-se apontar o treino proprioceptivo bem como o trabalho de reforço muscular de toda a musculatura dos flexores e extensores do ombro, coifa dos rotadores e mobilização articular. A aplicação de ligadura funcional é um método que também poderá ajudar.
Treina os teus ossos
Apesar de não parecer, o osso não é um tecido inerte, está vivo e remodela-se continuamente. Uma boa saúde articular é vital para conseguir ossos fortes e mantê-los a longo prazo já que têm uma vida inteira para durar. A estrutura óssea necessita de estímulos para se continuar a regenerar de forma contínua, neste sentido o osso necessita de estímulos por três grandes vias: pressão, tracção e torção.
Os pesos são amigos dos ossos
As forças interiores em forma de contracção muscular estimulam o seu reforço e crescimento, por isso é tão importante manter um bom nível de actividade física como parte integral de cada jornada. O trabalho de força é fundamental para conseguir estímulos de tracção e torção. Através das inserções musculares, os ossos recebem este tipo de estímulo, por isso é importante aplicar cargas significativas e a partir de ângulos de trabalho diferentes.
Hoje em dia os critérios do Colégio Americano de Medicina do Desporto (ACSM) recomendam o treino de força de alta intensidade como medida preventiva e inclusivamente terapêutica para a osteoporose. Para trás ficaram os critérios de natação para pessoas de idade avançada, actualmente os critérios estão claramente orientados para o treino de força.
Sofres de dor nos ombros?
P: Há cerca de três meses, depois de um dia a limpar o meu quintal com um ancinho, senti uma dor no meu ombro esquerdo, à qual não dei grande importância e pensei que, com o tempo, passaria. Contudo, não passou e continuou a incomodar-me imenso.
Em Janeiro fui a um ortopedista que, após a consulta, disse-me que tinha uma tendinite no ombro e que o tendão afectado era um que passava debaixo do osso acrómio. Este osso, por vezes em alguns movimentos pressionava o tendão inflamado, e causava-me as dores maiores. Aconselhou-me fisioterapia durante cerca de 4 meses. E o problema começa aqui. Não tenho possibilidades de recorrer a um trabalhando em Lisboa, para onde me desloco todos os dias. Tentei pedir no emprego que me facilitassem a vida para fazer os tratamentos de fisioterapia, mas não mostraram abertura para isso e tenho receio de me prejudicar.
Como não posso fazer a fisioterapia então consultei a net para ver tratamentos. Mas, não tive sorte porque fico confuso com o que consultei….
Mário Bacelar
R: O problema que colocas é muito comum. De acordo com o diagnóstico do médico, a patologia de que falas é o Conflito sub-acromial. Nesta lesão, ocorre uma inflamação do tendão dos músculos rotadores do ombro que, como dizes, encontra-se logo abaixo do osso acrómio. Esta inflamação pode ocorrer devido a vários factores como a morfologia do acrómio, fraca estabilização da omoplata, desequilíbrios e fraqueza muscular devida aos movimentos repetidos da articulação do ombro. Estes factores provocam diminuição do espaço que existe entre o acrómio e o tendão, o que vai levar a fraqueza muscular e dificuldade de movimentos em que exista flexão do ombro como por exemplo vestir um casaco.
Tendo em conta as limitações que colocaste, poderás, em casa, fazer trabalho de fortalecimento e alongamentos muscular, fazer gelo e repouso parcial do ombro, evitando os movimentos repetidos em que a mão ultrapassa o nível do ombro, tentando realizar o maior número de movimentos e tarefas que conseguir com o outro braço. Também podes tomar analgésicos ou anti-inflamatórios (como o ibuprofeno). Contudo, apesar de a medicação aliviar a dor, tens que ter em conta que não vai curar o problema de base e as queixas poderão reaparecer
Para além destes procedimentos, pode haver a necessidade, em alguns casos, de recorrer a injecções locais de cortisona que têm a desvantagem de poder levar ao enfraquecimento dos músculos. Em último recurso, quando existe ruptura do tendão procede-se à cirurgia que é minimamente invasiva e tem bons resultados.
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